Gravidez26 de outubro de 2026

Grávida e esquecida? A ciência começa a desvendar o que acontece com a memória das mães

Por Redação Materninhando

Grávida e esquecida? A ciência começa a desvendar o que acontece com a memória das mães

Você esquece palavras, perde objetos e às vezes nem lembra o que foi fazer em outro cômodo? O famoso “baby brain” pode ter uma explicação mais surpreendente do que parece.

Você entra no quarto e esquece o que foi buscar. Começa uma frase e perde o raciocínio no meio. De repente, lembrar de coisas simples parece exigir um esforço que antes não existia. Se isso acontece durante a gravidez, saiba que essa experiência é bastante comum e tem despertado cada vez mais o interesse da ciência.

Conhecido como 'baby brain' ou 'momnesia', o fenômeno descreve os esquecimentos, distrações e dificuldades de concentração relatados por muitas mulheres durante a gestação e depois do nascimento do bebê. Por muito tempo, essas situações foram tratadas como brincadeiras sobre a maternidade. Agora, novas descobertas mostram que existe uma história muito mais interessante por trás desses lapsos.

O que a ciência descobriu sobre o cérebro das grávidas?

Uma pesquisa publicada em 2026 na revista científica Science Bulletin trouxe novas pistas sobre a relação entre os hormônios da gravidez e a memória. Os resultados sugerem que os níveis elevados de estrogênio podem influenciar circuitos cerebrais responsáveis por armazenar e recuperar informações. Embora ainda sejam necessárias mais pesquisas em mulheres, a descoberta ajuda a explicar por que algumas gestantes percebem mudanças na capacidade de lembrar de acontecimentos e tarefas cotidianas.

Mas existe um detalhe ainda mais curioso: o cérebro materno não está simplesmente perdendo capacidade. Pesquisas recentes mostram que a gravidez provoca uma reorganização de regiões cerebrais, em um processo conhecido como neuroplasticidade. Essas transformações estão relacionadas às intensas mudanças hormonais desse período e podem fazer parte da adaptação do organismo à maternidade.

Isso significa que sentir a memória menos ágil não é o mesmo que estar ficando menos inteligente. A gravidez envolve mudanças complexas, e nem todas as mulheres experimentam os mesmos efeitos. Enquanto algumas percebem esquecimentos frequentes, outras atravessam os nove meses sem notar diferenças significativas.

No Brasil, a sobrecarga mental também entra nessa história

Existe outro aspecto que merece atenção: a quantidade de responsabilidades acumuladas pelas mulheres. No Brasil, muitas gestantes continuam trabalhando, administrando a casa, cuidando de outros filhos e organizando praticamente todos os detalhes da chegada do bebê. Consultas, exames, compras, decisões e preocupações passam a disputar espaço na mesma rotina.

Segundo dados do IBGE referentes a 2022, as brasileiras dedicavam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e aos cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicavam 11,7 horas. Essa desigualdade não explica sozinha os esquecimentos da gravidez, mas ajuda a compreender o contexto em que muitas mulheres vivem. Afinal, uma mente constantemente ocupada com responsabilidades também precisa lidar com o cansaço, a ansiedade e as noites maldormidas.

O sono, aliás, é uma peça importante desse quebra-cabeça. Desconfortos físicos, idas frequentes ao banheiro e preocupações com a chegada do bebê podem comprometer o descanso. E dormir mal afeta diretamente a atenção e a concentração, aumentando aquela sensação de que a cabeça está funcionando em outro ritmo.

E quando o bebê nasce? A memória volta ao normal?

Para muitas mulheres, os esquecimentos diminuem gradualmente depois do parto. Entretanto, a chegada do bebê traz novos desafios: noites interrompidas, adaptação à amamentação, mudanças hormonais e uma rotina que exige atenção quase constante. Por isso, algumas mães continuam percebendo dificuldades de concentração durante os primeiros meses.

A boa notícia é que essas alterações nem sempre representam um problema duradouro. Organizar compromissos, usar lembretes, priorizar o descanso possível e dividir efetivamente as responsabilidades com a rede de apoio podem ajudar a diminuir a sobrecarga. Já esquecimentos intensos, confusão mental ou dificuldades persistentes que prejudiquem a rotina merecem avaliação médica, pois também podem estar relacionados a condições como anemia, alterações da tireoide ou problemas de saúde mental.

No fim das contas, talvez a descoberta mais importante seja mudar a maneira como enxergamos o chamado “cérebro de mãe”. A maternidade não transforma apenas o corpo e a rotina. Ela também envolve mudanças reais no cérebro, que a ciência ainda está aprendendo a compreender.

E, em meio a tantas adaptações, uma coisa merece ser lembrada: a mulher que está se preparando para cuidar de um bebê também precisa ser cuidada.

Fontes consultadas

  • Science Bulletin (2026) — Hormônios da gestação e alterações na memória.
  • https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42686501/
  • Nature Communications (2025) — Transformações cerebrais durante a gravidez.
  • https://www.nature.com/articles/s41467-025-55830-0
  • BMC Pregnancy and Childbirth (2025) — Revisão científica sobre memória e cognição na gestação.
  • https://doi.org/10.1186/s12884-025-07181-3
  • IBGE — Estatísticas de gênero e divisão do trabalho doméstico no Brasil.
  • https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/22052-as-mulheres-do-brasil

O conteúdo do Materninhando tem caráter informativo e não substitui a orientação de um médico, pediatra, enfermeiro ou outro profissional de saúde. Em caso de dúvida ou urgência, procure atendimento.